Luto: Conheça as 5 Fases e como Vencê-la

A experiência do luto é algo que todo o ser humano viverá em algum momento da vida. Compreender as fases é crucial para superar a dor da perda. Saiba mais!

Leandro Escobar

Mulher derramando lágrimas diante da significativa perda que enfrenta na fase de luto.
Mulher derramando lágrimas diante da significativa perda que enfrenta na fase de luto. (Imagem: Canva)

O luto é uma experiência universal e natural a todos os seres humanos, sendo uma jornada emocional que começa quando perdemos algo importante em nossa vida. Todos nós, cedo ou tarde, teremos de encarar a dor do luto decorrente de uma perda significativa. Além disso, o luto engloba sentimentos como tristeza profunda, isolamento, introspecção, sentimento de vazio e desesperança.

O luto, como parte do processo de lidar com perdas, é uma reação intrínseca à condição humana. O uso do termo “inerente” enfatiza que o luto está profundamente incorporado à vida, sendo uma parte inevitável e essencial da jornada humana. Essa experiência e como ela é gerenciada, podem variar para cada um, por questões relacionadas à cultura, religiões, contextos sociais e convicções próprias.

Dessa forma, é fundamental respeitar seu tempo e permitir-se o espaço necessário para digerir a perda, até porque nenhum ser humano está imune à perda de alguém que ama muito. Evitar pressionar a si mesmo ou aos outros para superá-lo, é crucial para a cura interior.

Compreender e respeitar os estágios do luto é o primeiro passo para a cura interior. Ao buscar apoio, estabelecer a aceitação do luto como algo natural, cuidar da saúde emocional, explorar a espiritualidade e aceitar o próprio ritmo, é possível atravessar esse período desafiador com resiliência e emergir com um novo entendimento da vida e da morte.

A seguir, abordaremos as 5 fases do luto e apresentaremos estratégias de como vencer essa experiência desafiadora e comum a todos, de maneira respeitosa, aceitável e resiliente.

Mulher derramando lágrimas diante da significativa perda que enfrenta na fase de luto.
Mulher derramando lágrimas diante da significativa perda que enfrenta na fase de luto. (Imagem: Canva)

1) Fase: Negação e isolamento

Na fase inicial do luto, muitos indivíduos encontram-se imersos em um tumulto emocional caracterizado por negação e isolamento. A negação age como um escudo protetor, um mecanismo de defesa que tenta conter o impacto avassalador da perda, tornando a realidade quase inatingível.

Nesse estágio, a mente reluta em aceitar a irreversibilidade da ausência, buscando refúgio em uma ilusão temporária de normalidade. Ao mesmo tempo, o isolamento emerge como um instinto autônomo, fazendo a pessoa a se afastar daqueles que desejam oferecer consolo.

2) Fase: Raiva

Na fase da raiva, as emoções se desdobram em uma tempestade tumultuada de sentimentos intensos e, por vezes, desconcertantes. A raiva começa como uma resposta natural à perda, manifestando-se como uma força poderosa e avassaladora.

É uma reação à injustiça percebida, à sensação de impotência diante do destino e à frustração pela impossibilidade de reverter o ocorrido. Essa intensa emoção pode ir para diversas direções, seja para outras pessoas, para o universo ou para si mesmo.

3) Fase: Barganha

No terceiro estágio do luto, a barganha emerge como uma tentativa de encontrar um terreno comum entre a dor avassaladora e a busca por soluções ou respostas. Nesse estágio, as mentes frequentemente se voltam para a negociação imaginária, envolvendo-se em um diálogo interno de “e se” e “se apenas”.

É um período marcado por um esforço desesperado para reverter ou modificar a realidade, como se pudéssemos, de alguma forma, influenciar o desfecho. A barganha pode se manifestar por meio de promessas não cumpridas, tentativas de fazer acordos com forças superiores ou na busca incessante por explicações racionais para o que parece uma inexplicável injustiça.

4) Fase: Depressão

No quarto estágio, a depressão se instala como uma sombra profunda, envolvendo a pessoa em uma névoa densa de tristeza e desânimo. É uma fase em que a dor da perda atinge um ponto onde a ausência torna-se mais palpável, gerando uma sensação de vazio emocional e desesperança.

A depressão no luto não se refere apenas à tristeza, mas também à compreensão profunda da magnitude da perda. As atividades cotidianas podem parecer esmagadoras, e a motivação para participar da vida diária diminui.

5) Fase: Aceitação

No quinto e último estágio do luto, a aceitação se revela como uma luz suave no fim do túnel emocional. Neste ponto da jornada, a pessoa passa a acolher a realidade da perda com serenidade e resignação. Isso não significa esquecer a pessoa ou a experiência perdida, mas sim integrar essa ausência ao tecido da vida cotidiana.

A aceitação permite que a pessoa encontre um equilíbrio entre a lembrança amorosa daquilo que foi perdido e a reconstrução de um presente e futuro significativos. É uma fase de transformação, onde as feridas emocionais começam a cicatrizar, e a perspectiva de vida é gradualmente redescoberta.

O que acontece no nosso cérebro quando perdemos alguém que amamos?

Entender como as emoções associadas ao luto se processam em nosso cérebro nos ajuda a superar as fases do luto de forma aceitável sem perder a esperança de continuar a viver com a vida com otimismo e alegria de espírito.

Durante a perda “luto” algumas regiões do nosso cérebro são ativadas, são elas:

Amígdala: esta desempenha um papel central no processamento emocional e na resposta ao estresse. Durante o luto, a amígdala pode estar mais ativa, contribuindo para a intensidade das emoções associadas à perda.

Hipocampo: está envolvido na formação de memórias e na contextualização das experiências. Durante o luto, pode haver modificações nesta área, influenciando a maneira como as memórias ligadas à perda são processadas.

Córtex Pré-Frontal: O córtex pré-frontal, especialmente o córtex pré-frontal medial, está associado ao processamento cognitivo e à regulação emocional. Durante o luto, essa região pode estar envolvida na tentativa de entender e lidar com as emoções complexas associadas à perda.

Núcleo Accumbens: Este está associado às recompensas e à motivação. Durante o luto, pode haver alterações nas respostas nesta região, relacionadas à perda da recompensa emocional associada à presença do ente ou de algo significativo para a vida da pessoa.

Como superar o luto e a perda?

Superar o luto e a perda é um desafio individual, pois cada pessoa lida de maneira única com essas experiências. No entanto, aqui estão algumas estratégias que podem auxiliar no processo:

Uma mulher jovem vivendo a fase do luto e sendo consolada pela avó.
Uma mulher jovem vivendo a fase do luto e sendo consolada pela avó. (Imagem: Canva)

1) Busque apoio espiritual, psicológico e emocional; procure aconselhamento ou tratamento terapêutico;

2) Converse com a família ou amigos;

3) Seja paciente com você mesmo;

4) Pratique mindfulness;

5) Envolva com questões sociais na comunidade;

6) Busque o autoconhecimento. Exemplo: leia livros;

7) Mantenha uma alimentação saudável;

8) Pratique exercícios físicos, de preferência ao ar livre;

9) Converse com pessoas que passaram por experiências semelhantes;

10) Escreva num diário os dias bons ou ruins.

Conclusão

Por fim, deixamos a seguinte mensagem bíblica: Eu lembro da minha tristeza e solidão, das amarguras e dos sofrimentos. Sempre penso nisso e fico abatido. Mas a esperança volta quando penso no seguinte: O amor do Senhor Deus não se acaba, e a sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor! https://www.bible.com/pt/bible/211/LAM.3.19-25.NTLH